Dominar a prova de Língua Portuguesa em um concurso público exige entender que o segredo não está mais na “decoreba” de regras isoladas. Atualmente, as bancas examinadoras — como FGV, Cebraspe e FCC — priorizam a capacidade do candidato de interpretar a construção lógica do texto, e é exatamente nesse cenário que os conectivos ganham protagonismo.
Nesta aula completa, vamos desvendar esse tema, que atua como o verdadeiro “divisor de águas” entre quem apenas realiza uma leitura superficial e quem realmente alcança a compreensão profunda de um texto.
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1. Introdução: O que são conectivos e por que eles dominam as provas
Se existe um assunto que é o verdadeiro “divisor de águas” para quem busca a aprovação em um concurso público, esse assunto se chama conectivos. Muitas vezes negligenciados por quem foca apenas em regras gramaticais rígidas, esses pequenos elementos são, na verdade, os grandes maestros da comunicação escrita.
📌 Definição simples: O que é um conector?
Para entender o que é um conectivo (também chamado por alguns gramáticos de conector), imagine que um texto é uma construção. Se as palavras e frases são os tijolos, os conectivos são a argamassa. Sem eles, as ideias ficam soltas, e a estrutura desmorona.
Em termos técnicos, os conectivos são palavras ou expressões que estabelecem uma ligação lógica entre orações, frases ou parágrafos. Eles pertencem, majoritariamente, à classe das conjunções, mas também podem ser representados por advérbios, pronomes relativos e preposições.
💡 Simplificando: O conectivo é a “ponte” que diz ao leitor se a próxima ideia vai somar, contradizer, explicar ou concluir o que foi dito antes.
🧠 Por que este tema é o “coração” da Língua Portuguesa em concursos?
Você já deve ter percebido que as provas atuais não pedem mais apenas para você classificar uma palavra isolada. Bancas renomadas, como FGV, Cebraspe e FCC, cobram a interpretação de texto sob a ótica da articulação de ideias. Os conectivos são o “coração” da prova por três motivos principais:
- Lógica Textual: Eles revelam a intenção do autor. Se você não identifica o valor semântico de uma conjunção, você perde o sentido da frase.
- Morfossintaxe: Grande parte das questões de gramática foca na substituição de conectivos (ex: trocar “contudo” por “todavia”) sem alterar o sentido original.
- Coesão e Coerência: Eles são a base para que um texto seja fluido e compreensível, transformando um amontoado de frases em uma unidade de sentido.
✍️ A relação direta entre conectivos e a pontuação final
Dominar o uso de conectivos não é apenas uma questão de “escrever bonito”; é uma estratégia para elevar sua nota de forma direta.
- Nas Questões Objetivas: Errar o sentido de uma conjunção em uma questão de interpretação de texto é um dos erros mais comuns e fatais. Uma leitura desatenta de um “embora” (que indica concessão) pode fazer você marcar a alternativa oposta à correta.
- Na Redação: No seu texto dissertativo-argumentativo, o uso variado e correto dos conectores é um dos critérios de avaliação mais rigorosos. Um texto sem conectivos ou com uso repetitivo demonstra falta de repertório e fere a coesão textual, o que reduz drasticamente a sua nota final.
Em resumo: quem domina os conectivos tem a chave para entender o que o examinador quer e para convencer o avaliador de que sabe organizar o próprio pensamento.
Os conectivos da Língua Portuguesa garantem coesão e coerência textual, assunto recorrente em provas de concurso público. A imagem mostra, de forma visual, como essas palavras conectam ideias no texto.

2. O Papel dos Conectivos na Coesão e Coerência Textual
Se você já leu um texto que parecia “truncado” ou difícil de seguir, mesmo que as palavras fossem conhecidas, o problema provavelmente estava na falta de articulação. Em Língua Portuguesa, dizemos que esse texto falhou nos seus mecanismos de ligação.
📌 Diferença entre Coesão (forma) e Coerência (sentido)
Para nunca mais esquecer: a coesão é a “roupa” do texto, enquanto a coerência é o “pensamento” dele.
- Coesão Textual (A Forma): É o aspecto gramatical. Ela acontece quando usamos palavras para ligar outras palavras. É o uso de pronomes para evitar repetições, o uso de sinônimos e, claro, o uso de conjunções e prepositivos. Se os conectivos estão bem empregados, o texto tem “liga”.
- Coerência Textual (O Sentido): É o aspecto lógico. Um texto coerente é aquele que faz sentido, que não é contraditório e que permite ao leitor chegar a uma conclusão clara.
💡 Exemplo Prático:
“Estudei muito para o concurso público, portanto não aprendi nada.”
Nesta frase, existe coesão (o conectivo “portanto” liga as orações corretamente do ponto de vista gramatical), mas não há coerência. Afinal, quem estuda muito deveria, logicamente, aprender algo. Percebe como o conector errado destrói o sentido da mensagem?
🧠 Como os conectivos constroem a “ponte” entre as ideias
Os conectivos funcionam como sinalizadores de trânsito em uma estrada. Eles avisam ao cérebro do leitor qual direção o raciocínio vai tomar.
- Se o autor usa um “Entretanto”, ele está colocando uma placa de “Curva Acentuada”: o que vem a seguir vai contrariar o que foi dito antes.
- Se ele usa um “Por exemplo”, ele está sinalizando um “Acostamento”: vai parar um pouco o fluxo principal para ilustrar a ideia.
- Se ele usa um “Visto que”, ele está apontando para a “Origem”: vai explicar a causa de um fato.
Sem essas “pontes”, o texto seria apenas uma lista de fatos isolados (estilo “lista de compras”), o que dificultaria a interpretação de texto e tornaria a leitura cansativa e confusa.
✍️ A importância para a Redação Dissertativa Argumentativa
Se o seu objetivo é uma nota alta na redação de um concurso público, você precisa tratar os conectivos como seus melhores amigos. Os corretores utilizam grades de correção que pontuam especificamente a coesão textual.
Na redação, os conectivos cumprem duas funções vitais:
- Coesão Intraparágrafal: Ligar as frases dentro de um mesmo parágrafo para que o argumento flua sem saltos lógicos.
- Coesão Interparágrafal: Ligar um parágrafo ao outro. Iniciar o segundo parágrafo com expressões como “Nesse contexto”, “Além disso” ou “Em contrapartida” mostra que você planejou o texto e que cada parágrafo tem um motivo para estar ali.
Importante: O uso de conectores variados demonstra “repertório”. Evite usar o “mas” ou o “porque” o tempo todo. Use, “contudo”, “visto que”, “uma vez que”, “todavia”. Isso mostra domínio da língua portuguesa e maturidade na escrita.
3. Principais Classes de Conectivos (Morfologia e Sintaxe)
O estudo da morfossintaxe foca em como as palavras se comportam dentro da frase. No caso dos conectores, eles são divididos de acordo com a relação lógica que estabelecem.
➕ Conectivos Aditivos: A ideia de soma e progressão
Os conectivos aditivos são responsáveis por acrescentar informações ao texto, criando uma sequência de ideias que se complementam. Eles são essenciais para a progressão textual, garantindo que o leitor perceba o acúmulo de argumentos.
- Principais conectores: e, nem (e não), mas também, mas ainda, bem como, além disso, ademais, outrossim.
- Exemplo prático: “O edital foi publicado e as inscrições começam amanhã.”
- Aplicação em provas: A locução “mas também” costuma aparecer após o termo “não só”. É uma estrutura de adição muito valorizada em redações.
🌓 Conectivos Adversativos: O poder do contraste e da oposição
Esta é, sem dúvida, a classe mais cobrada em qualquer concurso público. Os conectivos adversativos indicam uma quebra de expectativa. Eles introduzem uma ideia que contrasta com o que foi dito anteriormente, sendo fundamentais para a construção de contra-argumentos.
- Principais conectores: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante.
- Exemplo prático: “O candidato possuía excelente base teórica, contudo não treinou o tempo de prova.”
- 🧠 Fique atento: Em questões de interpretação, a ideia introduzida pelo conectivo adversativo geralmente é a mais importante ou a que reflete a opinião final do autor sobre aquele ponto específico.
🏁 Conectivos Conclusivos: Fechando o raciocínio logicamente
Utilizados para indicar o desfecho de um pensamento, os conectivos conclusivos apresentam a consequência lógica de fatos apresentados anteriormente. Eles são o “carro-chefe” do parágrafo de conclusão da redação.
- Principais conectores: logo, portanto, por conseguinte, assim, por isso, dessarte, destarte.
- Exemplo prático: “A disciplina é a chave do sucesso; portanto, mantenha o foco nos estudos.”
- 💡 Dica de SEO e Estudo: O termo “dessarte” é uma forma mais arcaica e formal, mas aparece com frequência em provas de tribunais para testar o vocabulário do candidato.
💬 Conectivos Explicativos: Justificando afirmações
Estes conectores servem para esclarecer, justificar ou dar o motivo de uma ordem ou afirmação feita anteriormente.
- Principais conectores: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto.
- Exemplo prático: “Não deixe de revisar a matéria, porque a memória de curto prazo é falha.”
- 📌 Ponto de atenção: O “pois” só é explicativo quando vem antes do verbo. Se vier após o verbo (entre vírgulas), ele assume valor conclusivo.
📖 Quadro Resumo: Conectivos Coordenativos
| Classe | Sentido | Principais Exemplos |
| Aditivos | Soma, adição | e, nem, ademais, além disso |
| Adversativos | Oposição, contraste | mas, porém, contudo, todavia |
| Conclusivos | Conclusão, fechamento | logo, portanto, assim, por isso |
| Explicativos | Explicação, motivo | porque, pois, porquanto, que |
| Alternativos | Escolha, exclusão | ou…ou, ora…ora, quer…quer |
Este quadro resumo apresenta as principais classes de conectivos, seus sentidos semânticos e exemplos mais cobrados em concursos públicos, facilitando a memorização e a revisão.

🔗 Outros tipos e locuções conectivas
Além das coordenadas, existem outros conectivos que exercem funções específicas e complexas, muitas vezes ligando orações subordinadas.
- Conectivos Concessivos (O “Apesar de”): Talvez os mais traiçoeiros em provas de língua portuguesa. Eles indicam uma oposição que não impede o fato principal.
- Exemplos: embora, conquanto, ainda que, apesar de que.
- Uso: “Embora estivesse cansado, continuou lendo o Guia de Conectivos.”
- Conectivos Comparativos: Estabelecem uma relação de superioridade, inferioridade ou igualdade.
- Exemplos: como, tal qual, do que, tanto quanto.
- Conectivos Integrantes: Introduzem orações que completam o sentido de um termo anterior (geralmente as conjunções “que” e “se”).
- Uso: “O professor afirmou que os conectivos cairão na prova.”
✍️ Nota para o candidato: A memorização das listas é o primeiro passo, mas o domínio real vem com a prática de identificar essas palavras em textos reais. A banca FCC, por exemplo, adora perguntar se a substituição de “conquanto” por “embora” mantém a correção gramatical e o sentido do texto. (Spoiler: mantém!).
4. Funções Semânticas: O Sentido por trás das Palavras
A escolha de uma conjunção pode mudar completamente o peso de um argumento. Por isso, entender as nuances semânticas é o segredo para não cair em pegadinhas e para construir uma coerência textual impecável na redação.
⛓️ Causa e Consequência: A relação de origem e resultado
Essa dupla aparece com frequência em provas de língua portuguesa. A causa é o motivo, a origem de algo; a consequência é o resultado, o efeito do que aconteceu.
- Conectivos de Causa: porque, visto que, já que, uma vez que, porquanto, na medida em que.
- Conectivos de Consequência: de sorte que, de modo que, tanto que, de forma que (frequentemente acompanhados de termos como “tão”, “tal”, “tanto”).
- Exemplo: “O estudo foi constante (causa), de modo que a aprovação veio rápido (consequência).”
🧠 Dica de Interpretação: Identificar quem veio primeiro no tempo lógico ajuda a não confundir os dois. A causa sempre precede a consequência na ordem dos fatos, mesmo que apareça depois na frase.
⚖️ Condição e Hipótese: O “se” e suas variações
A relação condicional estabelece que um evento só acontecerá caso outro ocorra anteriormente. É a base do raciocínio lógico dentro da gramática.
- Principais conectores: se, caso, desde que, contanto que, a menos que, a não ser que.
- Exemplo: “A nomeação ocorrerá contanto que haja dotação orçamentária.”
- Atenção ao verbo: O uso de “caso” exige o verbo no modo subjuntivo (caso ele estude), enquanto o “se” permite o futuro do subjuntivo (se ele estudar). As bancas amam trocar um pelo outro para testar a concordância.
🥊 Oposição e Contraste: Diferenças sutis entre adversativas e concessivas
Este é, sem dúvida, o tópico mais importante desta aula. Existem duas formas de opor ideias em português, e a diferença entre elas é o “pulo do gato” em concursos.
- Conjunções Adversativas (mas, porém, contudo): Introduzem uma oposição forte e independente. Elas dão ênfase à ideia que vem depois do conectivo.
- Exemplo: “Treinei muito, mas não venci.” (A ênfase está na derrota).
- Conjunções Concessivas (embora, ainda que, apesar de): Introduzem uma oposição “suave”. Elas admitem uma contradição, mas não impedem a ação principal.
- Exemplo: “Embora não tenha vencido, treinei muito.” (A ênfase está no treino, no esforço).
💡 Dica de Ouro: Quer trocar uma adversativa por uma concessiva em uma questão de reescrita? Lembre-se de que as concessivas exigem a alteração do tempo verbal. “Mas choveu” (indicativo) vira “Embora tenha chovido” (subjuntivo).
📐 Conformidade, Finalidade e Proporção
Estes conectores organizam o “objetivo” e a “forma” como as ações se desenrolam no texto.
- Conformidade: Indica que algo segue uma regra ou modelo.
- Conectivos: conforme, segundo, consoante, como.
- Uso: “Agimos conforme o edital previa.”
- Finalidade: Indica o objetivo ou a intenção de uma ação.
- Conectivos: para que, a fim de que, com o intuito de.
- Uso: “Revisamos o conteúdo a fim de que não restassem dúvidas.” (Note que “a fim de” é separado quando indica finalidade).
- Proporção: Indica que dois fatos ocorrem de forma simultânea e proporcional.
- Conectivos: à medida que, à proporção que, quanto mais… mais.
- Uso: “À medida que o tempo passa, a ansiedade aumenta.”
📌 Importante: Nunca confunda “à medida que” (proporção) com “na medida em que” (causa). Essa é uma das armadilhas favoritas de bancas como a FGV para testar a precisão no uso de conectivos.
5. Como Identificar Conectivos e Interpretar Textos
A interpretação de texto em um concurso público exige que o candidato saia da passividade. Não basta ler; é preciso mapear a arquitetura das ideias. Os conectivos são os sinais dessa estrutura.
📌 Técnicas de leitura ativa para encontrar conectores
A leitura ativa consiste em interagir com o texto enquanto seus olhos percorrem as linhas. Para dominar os conectivos, utilize o seguinte método:
- O Método do Círculo: Durante a primeira leitura, circule toda conjunção ou locução que encontrar (como entretanto, visto que, portanto, conquanto). Isso obriga seu cérebro a reconhecer a transição de ideias.
- Identificação do Vetor: Ao encontrar um conectivo, pare por um segundo e pergunte: “Para onde esta palavra está me levando?”. Ela está somando (+), opondo (vs), explicando (?) ou concluindo (=)?
- Análise de Fronteira: Observe os conectivos que iniciam parágrafos. Eles são fundamentais para a coerência textual macro. Um parágrafo que começa com “Por outro lado” indica que o autor mudará a perspectiva em relação ao que foi dito anteriormente.
💡 Dica de mestre: Muitas vezes, o conectivo está “escondido” ou implícito (como a vírgula que substitui um “porque”). Treinar a identificação visual ajuda a perceber essas relações de sentido mesmo quando a palavra não está lá de forma explícita.
🧠 Substituição de conectivos sem alteração de sentido
As bancas amam cobrar a famosa “equivalência semântica”. O enunciado típico é: “A palavra ‘X’ pode ser substituída pela palavra ‘Y’ sem prejuízo ao sentido original e à correção gramatical?”.
Para acertar essas questões, você precisa conhecer os sinônimos dentro de cada família de conjunções. Abaixo, os grupos de substituição mais frequentes em provas de concurso público:
Grupo de Oposição (Adversativos)
Estes podem ser trocados entre si quase sempre (atente-se apenas à pontuação):
- Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.
- Cuidado: O “mas” possui uma posição mais rígida (início da oração), enquanto “todavia” e “entretanto” podem ser deslocados para o meio da frase.
Grupo de Concessão (Oposição “Suave”)
Trocas automáticas que as bancas adoram:
- Embora, conquanto, ainda que, se bem que, posto que.
- O Pulo do Gato: Se a banca sugerir trocar “embora” por “apesar de”, lembre-se de que “apesar de” exige o verbo no infinitivo ou uma estrutura substantivada (ex: “apesar de estar cansado” vs “embora estivesse cansado”).
Grupo de Causa e Explicação
- Porque, porquanto, visto que, uma vez que, já que.
- Nota: O “porquanto” é o substituto elegante do “porque” e aparece muito em provas de tribunais.
Grupo de Conclusão
- Portanto, logo, por conseguinte, dessarte, destarte, assim.
✍️ Exemplo de Questão de Substituição:
Texto: “O projeto é ambicioso, conquanto falte verba.” Pergunta: Posso trocar “conquanto” por “entretanto”? Resposta: Não. “Conquanto” é concessivo (exige subjuntivo), e “entretanto” é adversativo (exige indicativo). O sentido é parecido, mas a gramática seria ferida. A troca correta seria por “embora”.
Dominar essas tabelas mentais de substituição é o que permite resolver questões de gramática em poucos segundos, sobrando mais tempo para os textos densos de interpretação de texto.
6. Erros Comuns no Uso de Conectivos
O domínio dos conectivos vai além de decorar listas; trata-se de precisão. Um erro aqui não é apenas gramatical, é um erro de raciocínio.
🔄 Uso excessivo (repetição) na redação
Um dos erros mais graves na redação dissertativa-argumentativa é o “vício de linguagem” por repetição. Utilizar o mesmo conectivo várias vezes no mesmo parágrafo (ou ao longo do texto) sinaliza ao corretor que o seu vocabulário é limitado.
- O erro: Usar o “mas” para toda e qualquer oposição ou o “e” para toda e qualquer adição.
- A solução: Varie o repertório. Se já usou “além disso”, substitua o próximo por “ademais” ou “somado a isso”. Se já usou “porém”, prefira “contudo” ou “entretanto”.
💡 Dica de estilo: O texto deve ser fluido. Conectivos em excesso (um em cada início de frase sem necessidade real) deixam a leitura “engessada”. Use-os com estratégia, não apenas para preencher espaço.
⚠️ Troca de valores semânticos (O perigo do “onde”)
Muitas palavras funcionam como elos, mas possuem restrições de uso. O erro mais comum em concursos envolve o pronome relativo “onde”, frequentemente usado como um conector genérico.
- Onde vs. Em que / No qual: O termo “onde” deve ser utilizado exclusivamente para indicar lugares físicos (cidades, prédios, países).
- Errado: “Vivemos uma crise onde a ética faz falta.” (Crise não é lugar).
- Certo: “Vivemos uma crise em que a ética faz falta.”
- Na medida em que vs. À medida que:
- Na medida em que: Indica causa (equivale a “porque”, “visto que”).
- À medida que: Indica proporção (equivale a “à proporção que”).
- 🧠 Não misture: O termo “À medida em que” não existe na norma culta. É uma mistura incorreta das duas formas.
📍 Pontuação e conectivos: A vírgula obrigatória e a proibida
A pontuação está intrinsecamente ligada à coesão. Um conectivo mal pontuado pode mudar o sentido da frase ou gerar um erro gramatical direto.
- A vírgula antes do “mas”: Em orações adversativas, a vírgula antes do conector é obrigatória.
- Exemplo: “Estudei muito**, mas** não fui aprovado.”
- O “mas” proibido de vírgula posterior: Nunca coloque uma vírgula imediatamente após o “mas” (salvo se houver uma expressão intercalada).
- Errado: “Estudei muito, mas, não fui aprovado.”
- Conectivos deslocados: Palavras como porém, contudo, todavia e portanto podem aparecer no meio ou no fim da oração. Nesses casos, devem vir isoladas por vírgulas.
- Exemplo: “O candidato estava preparado; não conseguiu**, contudo,** controlar o nervosismo.”
- Início de frase: Conectivos como, Entretanto, Portanto, Além disso e Nesse sentido, quando iniciam uma frase ou parágrafo, devem ser seguidos de vírgula.
✍️ Tabela Rápida: Acerte na Pontuação
| Conectivo | Posição | Regra de Pontuação |
| Mas | Início da oração | Vírgula antes. Nunca depois. |
| Porém / Todavia | Início da frase | Vírgula depois. |
| Logo / Portanto | Deslocado | Entre vírgulas. |
| Visto que / Porque | Início da explicação | Geralmente precedido de vírgula. |
Dominar esses detalhes mostra ao avaliador que você não apenas conhece as palavras, mas entende a mecânica da língua portuguesa.
7. Dicas de Estudo e Memorização
A memorização de conjunções e conectores não deve ser feita de forma mecânica, mas sim associada ao sentido que eles carregam.
✍️ Tabela de conectivos “coringas” para redação
Na redação dissertativa-argumentativa, ter um “estoque” de conectivos prontos ajuda a economizar tempo e evitar repetições. Use estes exemplos para estruturar seu texto:
| Momento do Texto | Função | Conectivos Sugeridos |
| Início do Desenvolvimento | Introduzir o primeiro argumento | Em primeira análise; Em primeiro plano; Nesse contexto. |
| Adição de Ideias | Somar um novo argumento | Além disso; Ademais; Outrossim; Somado a isso. |
| Contraste/Oposição | Apresentar um contra-argumento | Todavia; Entretanto; Em contrapartida; Por outro lado. |
| Conclusão de Parágrafo | Fechar uma ideia interna | Desse modo; Dessa forma; Assim; Logo. |
| Início da Conclusão | Iniciar o desfecho do texto | Portanto; Em suma; Depreende-se, portanto, que. |
🧠 Como criar mapas mentais de conjunções
Os mapas mentais são excelentes para a memória visual, essencial na língua portuguesa.
- Centro: Escreva “CONECTIVOS” no centro de uma folha.
- Ramificações Principais: Crie “braços” para cada valor semântico (Adição, Oposição, Causa, Conclusão, Concessão).
- Cores: Use uma cor diferente para cada braço. O cérebro associa cores a categorias.
- Palavras-Chave: Em cada braço, coloque apenas os conectivos mais importantes.
- Exemplos Curtos: Ao lado de cada braço, escreva uma frase curtíssima (Ex: “Embora chova, vou” para Concessão).
O mapa mental organiza os conectivos da Língua Portuguesa por função semântica, ajudando o candidato a compreender rapidamente como o tema é explorado em questões de concurso.

8. Resumo: Checklist dos Conectivos Essenciais
Use este checklist como sua revisão de véspera. Se você souber o sentido destes termos, já estará à frente de grande parte dos candidatos.
📌 Tabela rápida para revisão de véspera
| Conectivo | Valor Semântico | Sinônimo Seguro |
| Contudo | Oposição | Porém / Entretanto |
| Conquanto | Concessão | Embora / Ainda que |
| Porquanto | Causa / Explicação | Porque / Visto que |
| Portanto | Conclusão | Logo / Dessarte |
| Consoante | Conformidade | Conforme / Segundo |
| A fim de | Finalidade | Para que (objetivo) |
| Todavia | Oposição forte | Mas / No entanto |
💡 Lembre-se: “Conquanto” (Concessão) e “Porquanto” (Causa) são as campeãs de confusão. Memorize: Conquanto = Concessão.
9. Conclusão: Dominando a Lógica do Texto
O estudo dos conectivos é o caminho mais curto para aumentar sua pontuação em provas de concurso público. Eles não são apenas termos gramaticais “bonitos”; são as ferramentas que dão sentido, ritmo e direção à sua leitura e escrita.
🏁 Recapitulando como os conectivos garantem a aprovação:
- Na Interpretação: Eles revelam a armadilha da questão ao mostrar se o autor está concordando ou refutando uma ideia.
- Na Gramática: Garantem pontos fáceis em questões de substituição de termos e reescrita de frases.
- Na Redação: Transformam seus argumentos em um texto coeso, fluido e profissional, o que agrada (e muito) os corretores.
Dominar a coesão e a coerência textual é parar de “chutar” alternativas e começar a entender a engenharia por trás de cada parágrafo. Continue praticando, resolvendo questões e aplicando esses conectores em suas produções de texto.
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