Saber onde não colocar o acento grave é tão importante quanto saber onde utilizá-lo. Em concursos públicos, as questões sobre casos proibidos de crase servem como um filtro eliminatório. Bancas como Vunesp, Cesgranrio e FCC adoram inserir o acento grave em estruturas incorretas para testar o candidato desatento.
Clique para acessar a aula
recomendamos começar por ela. Nela, você aprenderá os fundamentos da crase e as regras essenciais que servirão de base para compreender os casos facultativos, especiais e as principais cobranças das bancas de concursos.Nesta aula, mapearemos os cenários em que a crase é proibida de forma absoluta. Compreender essas restrições fará você eliminar alternativas incorretas em segundos, aumentando sua velocidade de prova.
Antes de Verbos, Palavras Masculinas e Expressões Repetidas
Estas três regras compõem a base dos casos proibidos. Elas bloqueiam a manifestação do artigo feminino “a”, invalidando o uso do acento grave.
1. Antes de Verbos no Infinitivo
O verbo é uma classe gramatical que não aceita o artigo definido feminino “a”. Portanto, antes de qualquer verbo no infinitivo (terminado em -ar, -er, -ir), o “a” funciona apenas como uma preposição simples.
- Exemplo Errado: Ele começou à chorar após ler o edital.
- Exemplo Certo: Ele começou a chorar após ler o edital.
Pegadinha de Prova
As bancas costumam utilizar locuções que transmitem ideia de tempo ou modo perto de verbos para tentar confundir o aluno, como “disposto à colaborar” ou “passou à valer”.
2. Antes de Palavras Masculinas
Como a crase exige o artigo feminino “a”, substantivos masculinos repelem naturalmente o acento grave, pois admitem apenas o artigo masculino “o”.
- Exemplo Errado: O pagamento foi feito à prazo.
- Exemplo Certo: O pagamento foi feito a prazo.
- Exemplo Certo: O candidato prefere fazer redações a lápis.
3. Em Expressões com Palavras Repetidas
Expressões idiomáticas que possuem termos idênticos ligados pelo “a” (sejam eles masculinos ou femininos) não admitem crase. Nessas estruturas, ocorre apenas a presença da preposição.
- Exemplos: cara a cara, dia a dia, frente a frente, gota a gota, ponta a ponta.
- Exemplo Certo: Ficamos frente a frente com o examinador.
O Perigo dos Pronomes: Pessoais, Indefinidos e de Tratamento
Os pronomes representam um dos terrenos favoritos das bancas para armar pegadinhas. A regra geral dita que a maioria dos pronomes rejeita o artigo feminino, o que proíbe o uso da crase.
Pronomes Pessoais e de Tratamento
Os pronomes pessoais (mim, ti, ela, nós, vós) e a maioria dos pronomes de tratamento (você, Vossa Excelência, Vossa Senhoria) não aceitam artigo feminino.
- Exemplo Certo: Entreguei o documento a ela. (Sem crase).
- Exemplo Certo: Dirijo-me a Vossa Excelência com respeito. (Sem crase).
Atenção para a prova:
Os pronomes de tratamento Senhora, Senhorita e Dona constituem uma exceção vital. Eles aceitam o artigo feminino e, consequentemente, admitem crase se o termo regente exigir preposição..
Pronomes Indefinidos e Demonstrativos Neutros
Pronomes que indicam indefinição (alguém, ninguém, tudo, cada, toda, qualquer) ou pronomes demonstrativos neutros (isto, isso) barram o artigo.
- Exemplo Certo: Não dei explicações a ninguém.
- Exemplo Certo: Assiste a toda a sociedade o direito de reclamar.
- Exemplo Certo: Não prestei atenção a isso.
A Armadilha do Singular-Plural: “A” antes de termo no Plural
Esta é uma das pegadinhas mais recorrentes e fáceis de identificar se você dominar a lógica visual da estrutura.
Se o “A” estiver no singular e a palavra seguinte estiver no plural, a crase é proibida. Isso acontece porque o “a” no singular atua estritamente como preposição pura; o artigo que pluralizaria a estrutura está ausente.
“A” (singular) + Palavra no Plural = Crase Proibida (Preposição pura)
“ÀS” (plural) + Palavra no Plural = Crase Obrigatória (Preposição + Artigo plural)
- Exemplo Proibido: Não me refiro a vagas temporárias. (O “a” está no singular, indicando apenas preposição).
- Exemplo Obrigatório: Não me refiro às vagas temporárias. (O “às” está no plural, indicando a fusão da preposição com o artigo “as”).\
Dica de Memorização:
“A no singular antes de plural: sinal de crase proibido e erro fatal.”
🧠 Painel de Memorização Rápida
O que você precisa decorar
- Crase é proibida antes de verbos, palavras masculinas e termos repetidos (dia a dia).
- O “A” sozinho no singular diante de um termo no plural nunca recebe acento grave.
- Pronomes pessoais (ela, mim) e indefinidos (alguém, cada) não aceitam crase.
O que costuma cair
- A banca colocando acento grave antes de verbos no infinitivo em períodos longos para tentar esconder o erro.
- A exceção dos pronomes de tratamento: Senhora e Senhorita aceitam crase; os demais não.
Erros comuns
- Confundir o “a” preposição de uma palavra no plural e cravar o acento grave (“Refiro-me à pessoas” – Erro grave!).
Exercício Resolvido (Obrigatório)
(Banca Examinadora FGV / Adaptada)
Analise o trecho a seguir enviado pela Diretoria Geral de Recursos Humanos:
“A instituição informou a todas as servidoras que o atendimento passará a ser realizado de segunda a sexta-feira, visando à melhoria dos serviços prestados a população.”
Avaliando o emprego do acento grave conforme as normas de regência e os casos proibitivos da Língua Portuguesa, constata-se que:
a) O acento grave deveria ter sido empregado em “a todas”, por se tratar de público feminino.
b) A estrutura “passará a ser” apresenta erro, pois exige o acento grave diante do verbo auxiliar.
c) A expressão “de segunda a sexta-feira” deveria receber o acento grave no “a” intermediário.
d) O segmento “prestados a população” apresenta um erro de omissão, sendo obrigatório o uso do acento grave em “à população”.
Resolução Comentada
- Gabarito: D
- Por que a D está correta? O termo regente “prestados” é um adjetivo (regência nominal) que exige a preposição “a” (algo é prestado a alguém). O substantivo feminino “população” aceita o artigo feminino “a”. Logo, ocorre o fenômeno da crase ($a + a = à$). A frase padrão exige: prestados à população.
- Por que as outras estão incorretas?
- Alternativa A: Incorreta. “Todas” é um pronome indefinido plural. Como vimos, pronomes indefinidos rejeitam o artigo. Além disso, o “a” está no singular diante de palavra no plural (“a todas”), acionando nossa regra proibitiva.
- Alternativa B: Incorreta. “Ser” é um verbo no infinitivo. O uso da crase antes de verbos é estritamente proibido. A estrutura do texto original (“passará a ser”) está correta sem o acento.
- Alternativa C: Incorreta. Na correlação temporal “de… a…”, a primeira estrutura utiliza apenas a preposição simples “de” (sem artigo). Por uma questão de paralelismo, o segundo termo deve utilizar apenas a preposição simples “a” (sem artigo), impedindo a crase.
- Pegadinha da banca: A banca tentou desviar a atenção do candidato criando polêmicas em pronomes e verbos para que a omissão do acento grave no final do período passasse despercebida.
Na próxima aula, estudaremos os Casos Facultativos, o território mais perigoso da prova, onde a banca testa se você conhece as situações de uso opcional e as sutilezas que mudam o sentido do texto.






